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PESCA
MS quer atrair investimentos da indústria da pesca com a prática da cota zero
05/06/2019

Fonte: Diario Corumbaense

Com a moratória do dourado e a proibição da captura e transporte das demais espécies de peixes das bacias dos rios Paraguai e Paraná por pescadores amadores, a partir de 2020, o governo de Mato Grosso do Sul criou uma política de conservação dos estoques pesqueiros aliada ao desenvolvimento de uma nova alternativa econômica, a da pesca esportiva, hoje um dos segmentos que mais crescem no Brasil.

 

Ao explanar sobre o assunto durante o 1º Encontro Pesca Cota Zero, realizado de 30 de maio a 02 de junho, no Passo do Lontra Park Hotel – Pantanal de Corumbá -, o secretário-adjunto da Semagro (secretaria estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Agricultura Familiar e Produção), Ricardo Senna, afirmou que a nova legislação pesqueira proporcionará o crescimento da pesca e criará oportunidades de novos negócios em várias áreas de produção.

Senna citou o sucesso do torneio de pesca esportiva de Três Lagoas, que reuniu mais de 300 amantes desse esporte de 12 estados, com faturamento de R$ 2 milhões pelo comércio local, e o evento realizado no Passo do Lontra, com lotação do hotel promotor, para falar do potencial do segmento. Avaliou que a pesca pode ser integrada aos roteiros turísticos e ter um calendário próprio, abrangendo os principais destinos, como Corumbá, Coxim e Porto Murtinho.

Atrair investidores

“O fomento a pesca esportiva, como medida crucial para repovoamento dos nossos estoques pesqueiros, estimula oportunidades de negócios, inclusive na área de entretenimento, impactando na diversificação da economia regional”, disse o secretário-adjunto. “O papel do Estado, agora, além de criar programas de apoio e geração de renda ao pescador profissional e ao ribeirinho, será o de atrair novos investidores para esse nicho de mercado”, antecipou.

O governo, por meio da Semagro, focará os grandes eventos da pesca esportiva pelo país, como as feiras, para divulgar o potencial pesqueiro do Estado e dialogar com a indústria de equipamentos náuticos e de pesca e vestuário esportivos quanto às oportunidades que se abrem em Mato Grosso do Sul para investimentos. Além de expandir o turismo, segundo Ricardo Senna, o Estado quer atrair novos empreendedores e gerar mais emprego e renda.

 

Edemir Rodrigues/Governo do Estado

Pescadores já observam maior concentração de peixes nos rios que banham o Pantanal, em especial o dourado

Esse cenário otimista se baseia, também, na perspectiva de crescimento interno do turismo náutico com o retorno ao Estado dos milhares de brasileiros que hoje preferem pescar na Argentina, onde a adoção da cota zero recuperou o estoque pesqueiro. Segundo levantamento do Sebrae, o número de praticantes do pesque-solte no Brasil cresceu de 4 milhões para 8 milhões. Em expansão, a pesca esportiva gera R$ 3 milhões de faturamento anual.

 

Medida de coragem

O encontro da pesca cota zero encerrado domingo (02) no Passo do Lontra, por iniciativa de empresários do destino turístico, serviu de termômetro para demonstrar a reação dos pescadores do Estado. Os participantes do evento foram unânimes em declarar apoio à medida, fortalecendo a decisão de proibir a captura e transporte das espécies nativas tomada em fevereiro deste ano pelo governador Reinaldo Azambuja.

Presente ao encontro, o especialista em pesca esportiva Beto Chioquetta, jornalista paranaense que produz o programa independente “Bom de Pesca”, retransmitido por 28 emissoras de canal fechado de TV, destacou a coragem do governador em assinar os decretos da cota zero e da moratória do dourado. “Não imaginávamos que a legislação seria mudada e será uma mudança de paradigma, o Estado tem muito a evoluir com a volta do peixe”, disse.

Chioquetta pratica pesca esportiva no Pantanal há 15 anos também ressaltou a realização do evento no Passo do Lontra como reflexo do novo comportamento dos praticantes desse esporte, principalmente a nova geração, e citou que o Estado está seguindo o exemplo da Argentina, hoje o principal destino de pesca da América do Sul. “Não tem mais lugar para o extrativismo, não se pode continuar matando as matrizes nos rios do Pantanal”, defende.

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